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Escrito por Virgílio Gomes Azevedo Pereira   

Virgílio Pereira

Ao Clube Amigos d’Aventura

Expedição a Marrocos 2009 – Escapada ao Deserto 25 de Abril a 3 de Maio de 2009

Minhas impressões sobre esta Aventura

As expectativas eram enormes principalmente para um estreante nestas andanças por Marrocos. Mas a confiança logo se estabeleceu quando verifiquei que os comandantes estavam absolutamente ligados e empenhados em resolver qualquer adversidade inesperada. E essa surgiu, logo no primeiro dia com avaria de um carro de um dos participantes. Todavia esse percalço transformou-se num momento de confraternização e foi a maneira de conseguir entrosar-me com o grupo.

A travessia sempre complicada do Estreito de Gibraltar de Tarifa para Tânger, decorreu sem se dar por isso ao contrário de algumas descrições de que tinha conhecimento. No que se refere à demora nas formalidades fronteiriças já as conhecia quando passei de Moçambique para a África do Sul.

 

 

Optei por não conferir o itinerário real com o que foi distribuído antes da Aventura, pois achei que se me preocupasse com isso acabaria por não ter disponibilidade para usufruir da viagem.

 

Achei muito interessante a visita a Fés assim como a Volubillis (maior Cidade Romana de África) e ainda à Fábrica de Olaria Tradicional e os curtumes. Em Fés, o guia improvisado, pouco contribuiu com informações mas foi muito útil na segurança dentro do Kashbah de Fés.

 

A etapa mais dura foi de Meknés para Goulmima com toda a emoção que se esperava: furo, passagem difícil na pista, travessia de ribeiras, perda de pista e atascamento. Tudo isto transformou a etapa de 500 km, para se fazer em cerca de 7 ou 8 horas, numa etapa de 17 horas o que não permitiu apreciar, condignamente, os aposentos do amigo e guia Hammou – Maison d`Hôtes Les Palmiers (casa de Turismo de Habitação Berbere). Foi importante a alteração de percurso para ver de dia as Gorges do Todra, que no dia anterior não pudemos apreciar por termos passado de noite.

A etapa de montanha de Goulmima para o Erg Cheby foi extraordinária sob o ponto de vista paisagístico. Assim, foram deslumbrantes os planaltos cultivados em contraste com a dureza das Montanhas do Atlas com restos da Floresta Negra, no cimo do Anti-Atlas a cerca de 3000 metros de altitude e 4º de temperatura.

Após a dureza dos percursos anteriores, a estadia no Auberge Dunes D`Or veio na boa altura no escasso repouso que nos proporcionou.

Um espectáculo inolvidável foi o nascer do Sol nas dunas do Erg Cheby, experiência importante para iniciados neste tipo de abordagem ao Deserto.

Nas pistas do Dakar e do Erg as evoluções foram interessantes mas não é recomendável a pessoas susceptíveis ao enjoo.

Numa outra oportunidade e pela rápida passagem nas cidades Errachidia, Erfoud, Ifrane, Rabat e Asilah afigura-se-me a necessidade maior disponibilidade de tempo para visitá-las.

Para finalizar esta nota sobre a Expedição a Marrocos (2009) e muito embora o embarque de ida tenha decorrido normalmente, já não poderei afirmar o mesmo relativamente ao embarque de regresso e para caracterizá-lo limitar-me-ei a transcrever o que escreveu Gonçalo Cadilhe no seu livro “África Acima – Uma Viagem Épica Por Um Continente Impressionante”:

“….Penso na ironia: atravessei África sem um arranhão, morro agora afogado às portas da Europa…“

Por

Virgílio Gomes Azevedo Pereira

P.S.

Olá !

Pois faltou dizer nas notas da Escapada ao Deserto que a mais valia foi conhecer pessoas que ficaram no coração e tive quase a transcrever Cadilhe no seu diálogo imaginado com o Guarda Civil:

-Tens algo a Declarar?

- Sim e Não, pois conheci muitas pessoas e algumas marcaram-me mais que outras e que trago mais Amigos
-E o que tem a Declarar?

- Nada

é mais ou menos assim e foi a mais valia da Escapada ao Deserto.

 

Actualizado em Domingo, 07 Novembro 2010 19:47
 

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